Flaps

10 de setembro de 2011

Coisas de Piloto

Agora que já estou aqui há um certo tempo, comecei a notar algo bem interessante. O fato de estar estudando em Inglês está “limitando” meu vocabulário aeronáutico em Português, existem algumas palavras que eu realmente não sei como falar na língua materna. Comentei isso porque o tema desse post é bastante técnico e por isso algumas palavras serão usadas só em Inglês, quem souber as traduções por favor não deixe de comentar!

Acho que o pouso é uma das partes mais emocionantes de um voo, seja no solo ou no ar. Nesse fase do voo vemos o avião com trem de pouso baixado, ouvimos variações no som dos motores e, principalmente, observamos as superfícies móveis da aeronave. Destas, a que mais me fascina são os Flaps.Quando pensamos em Flaps geralmente pensamos em uma função que parece ser óbvia: ajudar a frear a aeronave. Realmente, os Flaps criam um arrasto (drag) muito potente, porém ao mesmo tempo criam uma sustentação (lift) enorme! Esse aumento na sustentação se deve a alguns fatores: aumento da área da asa e aumento no coeficiente de “lift” (CL).

Para visualizar melhor isso, basta utilizar a fórmula L = \tfrac12 \rho V^2 S C_L em que S é a área da asa e CL é o coeficiente de sustentação (lift). Analisando a fórmula, é possível perceber que um aumento em S ou CL ocasionará um aumento em L ao mesmo tempo que a velocidade continua a mesma. É aí que está o ponto principal de um Flap, a velocidade continua a mesma e a sustentação (lift) aumenta!

Em outras palavras, a principal função de um Flap é possibilitar uma razão de descida maior (steep) mantendo uma mesma velocidade inicial. Se isso não existisse, a aeronave teria de descer com uma razão de descida menor, caso contrário a velocidade se desenvolveria rapidamente e o pouso não correria como o esperado.

Flaps são chamados também de controles de voo secundários (spoilers, trim, etc). Existem vários tipos de Flaps, porém nem todos aumentam a área da asa quando acionados. O tipo mais eficiente (usado nos grandes jatos e até mesmo em pequenas aeronaves) é o “Slotted Fowler Flap”, que basicamente aumenta a curvatura (camber) da asa e ao mesmo tempo sua área. É por isso que vemos aquela estrutura “saindo” de dentro da asa quando estamos na parte final de um voo.

Clique para ampliar

Os outros tipos de Flaps são mais simples porém funcionam da mesma forma. A única diferença é que estes aumentam somente a “camber” da asa, mantendo a área original. Estes são “Plain” e “Split”. Na imagem fica mais fácil de entender o funcionamento de cada tipo de Flap.Provavelmente algumas pessoas já perceberam que, geralmente, na hora de decolar os Flaps também são baixados, porém não totalmente. Como vimos lá em cima, essa superfície aumenta a sustentação, e pensando dessa forma, até que não seria ruim utilizá-las durante a decolagem, não é? Por outro lado, extendê-los totalmente não é de grande ajuda, por isso a diferença entre as configurações de pouso e decolagem.

Sobre Luca Simioni

Apaixonado por aviação! Atualmente sou Piloto Comercial (multi-engine rated e IFR) pela FAA e ANAC. Realizei o curso de Piloto Profissional na FlightSafety Academy e convalidação de licença estrangeira na EJ. No meu blog procuro ajudar os futuros Pilotos com informações e dicas, já que essas são escassas. CAVOK sempre!

Ver todas as postagens de Luca Simioni
  • Paulo

    Interessante… Imagina um 737 pousando em CGH sem flaps, teria que tocar o solo numa velocidade muito maior. Ai já viu o estrago, né? ;)

    • http://www.aeroentusiasta.com Luca Simioni

      Haha, pois é! Eu já treinei pousar sem os Flaps. Posso te dizer que foi bem legal, a aproximação e feita em uma velocidade maior, porém a sensação é muito mais legal ;D